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Que competências pede o futuro?

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Quais são as profissões mais viradas para o futuro? Que competências pedem as entidades laborais? Estas são questões que todos os jovens devem ter bem presente.

Num mercado cada vez mais competitivo e sujeito ao ritmo alucinante das inovações tecnológicas, é preciso ter em mente quais as competências mais procuradas no mercado de trabalho. Neste sentido, a Forum Estudante procura dar resposta a algumas destas questões.

O consórcio Maior Empregabilidade – um conjunto de instituições de ensino que aceitou o convite da Forum para o desenvolvimento de projetos que visam o aumento da maior empregabilidade entre os jovens, produziu duas publicações que ajudam o estudante neste sentido.

"Novos mercados de trabalho e novas profissões", bem como "Preparados para Trabalhar" ajudam ao planeamento futuro e a uma melhor preparação aquando da saída do mundo académico para o mercado de trabalho.

 

A adaptação aos novos mercados de trabalho

O estudo de Ana Cláudia Valente, "Novos mercados de trabalhado e novas profissões" oferece uma visão geral sobre que áreas e tipos de trabalho têm mais necessidade de recrutamento. Desta forma, a autora situa o futuro do trabalho em seis setores principais: economia digital, empregos em STEM green jobs, serviços às empresas, turismo e white jobs.

 

Economia digital: soluções de futuro

A economia digital é um espaço de crescimento derivado do avanço tecnológico vertiginoso, que gera um sem número de aplicações e novos serviços, bem como produtos daí decorrentes. Cada vez mais surgem soluções móveis e sociais, computação em nuvem e análises de dados, que abrem portas a novas oportunidades. Assim emergem novas perspetivas de negócios e de criação de novas profissões, que requerem especialistas em big data e cloud computing.

Assim sendo Portugal tem vindo a tornar-se um destino atrativo no que diz respeito aos investimentos de multinacionais no setor. Esta situação aumenta o número de implementações de Centros de I&D, Centros de Competências e Contact Centers, que acaba, por criar emprego jovem especializado.

 

Empregos em STEM: áreas em expansão

Os postos de trabalho diretamente ligados a profissões cuja formação seja em ciências, tecnologias, engenharias e matemática – empregos em STEM – oferecem perspetivas de crescimento elevadas. Como o setor se encontra em período de expansão, grande parte das oportunidades de emprego na indústria vai exigir trabalhadores com qualificações, quer intermédias, quer superiores. Prevê-se a criação de cerca de 90 000 postos de trabalho dentro desta área.

 

Green Jobs: empregabilidade em tons de verde

A empregabilidade verde, ou os chamados green jobs, integram os trabalhos referentes tanto à eco-indústria (setores de bens e serviços ambientais, energias renováveis e eficiência energética) como a todos os postos de trabalho que dependem do ambiente ou são criados/redefinidos (alteração de requisitos de competências, métodos de trabalho, perfis profissionais, etc.) com o propósito da transição para a economia verde. Os empregos verdes, hoje em dia, são cada vez mais transversais, sendo que podem introduzir alterações profundas em vários setores de atividade, bem como gerar um enorme potencial de empregabilidade. Neste sentido, surgem oportunidades em novos serviços e atividades, como por exemplo em auditoria e certificação energética, instalação e manutenção de tecnologia, segurança energética, agricultura e floresta sustentável, eco-turismo, planeamento de infraestruturas verdes e muito mais.

 

Serviços às Empresas: meio milhão de oportunidades

Outro setor contemplado neste estudo é o dos serviços às empresas, que até 2025 espera-se que venha a gerar cerca de meio milhão de oportunidades de emprego, sendo que 30% das vagas a atribuir vão exigir qualificações ao nível do ensino superior.

 

Turismo: ordem para inovar

A aposta no turismo de qualidade parece ser o fator decisivo para o futuro da área, bem como das vagas de trabalho a preencher. Este é um setor, que representa cerca de 10% do PIB da economia europeia e que deve crescer durante a próxima década 20%. Mas esta área continua a ser sustentável? Vai ser mesmo possível este crescimento? Sim, mas para isso é necessário apostar na profissionalização e na maior qualificação dos que trabalham no setor. É necessário aumentar não só a qualidade do serviço, mas diversificar a oferta dos produtos turísticos, dar respostas mais adaptadas a um turista cada vez mais informado e sofisticado e, ainda, fazer uma utilização mais intensiva das TIC.

 

White Jobs: perspetivas de futuro

Aos serviços e empregos nas áreas da saúde, em que muitas vezes os profissionais vestem batas de cor branca, dá-se o nome de white jobs, uma das áreas em foco no estudo "Novos Mercados de Trabalho e Novas Profissões".

Embora em Portugal esteja prevista uma capacidade de criação de emprego reduzida, as vagas a atribuir rondam as 160 000, o que se deve sobretudo à necessidade de substituição de mão-de-obra. Ao contrário, encarando uma perspetiva europeia, estima-se que até 2015 sejam criados 1,8 milhões destes postos de empregos. Assim, apesar dos constrangimentos nos setores, quer da saúde, quer dos serviços sociais em Portugal, que nestes últimos anos não tem sido capaz de integrar o fluxo de jovens diplomados nestas áreas, a nível europeu as perspetivas de criação de emprego, são muito significativas.

 

Competências no mercado de trabalho

"Preparados para trabalhar?" – estudo de Diana Aguiar Vieira e Ana Paula Marques – identifica as competências que os diplomados devem ter, por forma a ingressarem eficazmente no mercado de trabalho.

Existem três áreas sobre as quais incidem o estudo:

→ as competências que os empregadores requerem dos diplomados das instituições de Ensino Superior;

→ as competências que os diplomados mobilizam nos contextos profissionais;

→ as competências sobre as quais os diplomados revelam maior e menor preparação em relação aos perfis profissionais assumidos.

Sobre este ponto de vista, as autoras identificam algumas das ferramentas essenciais para a entrada do jovem no mercado de trabalho.

Em primeiro lugar, falam-nos de flexibilidade, um conceito que compreende a capacidade de adaptação a um espaço de trabalho, bem como a situações distintas e diferentes grupos de pessoas. Esta é uma qualidade essencial, num mundo em que as constantes mudanças engrenam em transformações de vária ordem. Ser-se flexível é reter uma compreensão mais aberta ao mundo, o que se traduz, por parte do individuo, na valorização de diferenças e pontos de vista diversos – algo que resulta na alteração do seu próprio foco em situações que o requerem. Num contexto também ele cada vez mais flexível, esta competência é uma das mais imprescindíveis para a entrada no mercado de trabalho, em cargos que impliquem um determinado grau de complexidade.

A análise e resolução de problemas é provavelmente uma das ferramentas mais difíceis de adquirir, uma vez que, para a sua efetivação, são necessárias competências analíticas e criativas. Existem duas formas nas quais estas se desenvolvem. Por um lado, a experiência quotidiana permite amplificar estas características. Por outro, é preciso também recorrer à criatividade e ao pensamento lateral, de forma a fazer surgir ideias que construam novas perspetivas que se pautem pela inovação.

Estas duas competências não comportam igual medida em todos os indivíduos e, por isso, assumem uma componente indispensável no trabalho em equipa. Dos mais criativos aos mais analíticos, as outras capacidades importantes para encontrar soluções são a comunicação, a persuasão e a negociação.

Olhar para as mesmas coisas, como todos olham, mas depois construir sobre elas de forma diferente requer características específicas – criatividade e inovação. Ser-se criativo é ser-se capaz de gerar ideias fora da caixa, que ao mesmo tempo sejam úteis na resolução de problemas. Inovação significativa implementar de um novo ou significativamente melhorado produto, bem, serviço, processo de trabalho ou práticas de relacionamento (entre pessoas, grupos ou organizações). Já criatividade é um processo mais ligado à área do raciocínio, traduz-se na capacidade conseguir pensar coisas novas.

Por fim, e não menos importante, "Preparados para trabalhar?" define o planeamento e organização como uma das características indispensáveis à entrada no mercado de trabalho. Como se constituem estas qualidades? O primeiro passo a tomar é fazer uma gestão útil do tempo. Para que isso aconteça, há que criar algumas condições.

Em primeiro lugar, há que organizar objetivos (pessoais/académicos) através de uma lista, depois identificar aqueles que são os objetivos mais importantes a fim de antecipar momentos críticos. Deve ainda ser definido um horário, flexível, realista e adequado ao individuo, que pode ser ajustável, caso necessário. A organização do local de trabalho é outra das metas a atingir, para isso não há nada de mal em listar objetivos e prioridades.

Para que haja um bom funcionamento destas condições deve prestar-se atenção ao auto-conhecimento: não há nada como prestar atenção aos ritmos biológicos próprios, a fim de aproveitar os momentos em que as energias estão mais elevadas. Por outro lado, é importante recompensar-se pelos objetivos cumpridos, por forma a estabelecer estímulos positivos.